terça-feira, 30 de outubro de 2012

Desafio N° 19 - Eco Run em Foz do Iguaçu

Graças a Deus consegui cumprir mais um desafio nas corridas de rua!

Este domingo eu participei do Circuito Eco Run em Foz do Iguaçu. O percurso foi todo dentro da Usina Hidrelétrica de Itaipu, com as distâncias de 5km (uma volta) e 10km (duas voltas).

Na verdade eu nem iria correr esta prova, pois eu não me inscrevi. Depois pensei em correr mesmo sem numeral e chip só pra ver como seria meu desempenho, mas no sábado descobri que seria lá na Itaipu (do outro lado da cidade) e acabei desistindo.

Mas ainda no sábado, perto da meia noite meu amigo Josiel me enviou uma mensagem dizendo se eu gostaria de correr a prova no lugar de um amigo que não poderia correr. Logo respondi que sim e combinamos de nos encontrar antes da prova para eu pegar o número de peito e o chip.

Antes das 7 horas estávamos na barreira de entrada para a usina. Por coincidência encontrei o Alzemar, amigo das corridas, logo na chegada e fomos de ônibus até o local da largada em frente ao vertedouro.

Havia um grande espaço a céu aberto e concerteza tinha mais de 500 corredores.

Retirei o chip e fiz um breve aquecimento. O clima estava agradável para correr, imagino eu uns 20° graus.

Como não conhecia o percurso e não sabia onde teria aclives e declives, tentei sair num ritmo puxado acompanhando outros corredores que conheço.

Logo com uns 300 metros tinha uma boa subida, depois ficou plano e tentei manter uma passada rápida, mas logo percebi que seria difícil. Mais uma vez esqueci meu relógio, e não sabia a que ritmo estava.

Havia hidratação logo com 2,5km e tive que tomar água, pois inexplicavelmente eu sentia calor bem acima do normal de quando corro. Antes do km 4 tinha uma boa descida e com 4km tinha outro posto de água, onde havia a pior parte da prova com uma longa súbida. Só me lembro que passei a primeira volta em torno de 23 minutos no pórtico de chegada.

Tentei manter o ritmo, mas estava desconfortável para correr. Meu ritmo caiu bastante principalmente na altura do km 7, pois me sentia sem energia para acelerar e percebi vários corredores me passando. Depois da última subida, fiz o maior esforço que pude para completar a prova com o tempo de 48:17 (48:09 tempo líquido), ritmo de 4:49 por km. Na classificação geral fiquei em 61° e na categoria em 6°.

Ao mesmo tempo que fiquei feliz por completar mais este desafio, bateu um desanimo pelo tempo que foi mais de 2 minutos acima do meu melhor tempo nos 10km (46:02). Talvez seja reflexo do cansaço da maratona que tentei até o km 39 no dia 30/09.

Espero e treino para que nas próximas corridas eu possa melhorar meu tempo!

O Alzemar fez em 49:25 tempo líquido, o Josiel não consegui localizar mas havia me falado em 55 min.

Bom, além de agradecer a Deus, agradeço ao Josiel que me convidou para correr em lugar de outra pessoa que não pode correr, se não fosse por ele eu nem iria lá correr.

Dados gerais

Prova - Circuito Eco Run
Cidade - Foz do Iguaçu-PR
Distância - 10km
Tempo - 48:09
Ritmo - 4:49
Velocidade média - 12,4 km/h
N° Peito - 409
Colocação Geral - 61° 
Colocação Categoria - 6°

Avaliação da prova 

Percurso - Na minha opinião de dificuldade média, pois havia duas subidas fortes e uma boa descida.
Hidratação - ideal, nos km 2,5/4/5/7,5/9 e na chegada, todos com água gelada.
Medalha Bonita, personalizada com o nome da prova, mas faltou a edição da prova, a cidade, a quilometragem
Organização - Muito Boa, com a marcação dos resultados com chip de cronometragem, transporte dos corredores da barreira de entrada até a largada. Só não gostei que era la na Itaipu, bem fora de mão pra mim.
Inscrição - No site da Eco Run estava 49,90 eu achei caro! mesmo com camiseta, boné, bem que poderia estar mais em conta para que qualquer corredor pudesse participar.
Premiação - Muito Fraca, porque só havia para os 3 primeiros no geral, não havia premiação por faixa etária, o que para mim é uma grande falha!



RESULTADOS
http://o2porminuto.uol.com.br/

Conheça os causadores da fadiga muscular

Pesquisadores apontam outros fatores que podem causar fadiga muscular, além do excesso de ácido láctico
 
30/10/2012 10:23  | Por Redação   
 
Foto: Shutterstock
Você se programa para correr 12 km. Tudo bem, afinal, já percorreu distâncias até maiores. Mas, aos 9 km, entretanto, você simplesmente para. Tudo por causa daquela sensação de “não dá mais”, que você não sabe explicar como te fez parar e é conhecida como fadiga.

E na teoria, ela é definida como a incapacidade na manutenção de determinada potência, e está ligada às alterações metabólicas que ocorrem durante o exercício físico, impedindo que as células do corpo trabalhem normalmente.

Pra quem não sabe, o vilão da fadiga muscular por muitos anos foi o lactato. O mestre em ciência do movimento Adriano Eduardo Silva explica melhor a causa do aumento dessa substância: “O primeiro estudo que demonstrou um aumento no lactato após estimulação do músculo é de 1907. Posteriormente, dois pesquisadores – Hill e Lupton – ganharam o prêmio Nobel em 1923 ao demonstrar que, durante o exercício intenso, o lactato aumenta no músculo e no sangue em decorrência da deficiência de oxigênio. Com isso, a produção de energia é prejudicada e é necessário interromper o exercício”.

Porém, com o passar dos anos, o lactato caiu em descrédito porque muitas vezes interrompe-se o exercício com concentrações relativamente baixas dele. Com isso, um estudo mostrou que a concentração de lactato ao fim de uma atividade física de intensidade máxima em altitude era menor do que ao nível do mar. Por isso, se o modelo inicial estivesse correto, os maiores valores seriam em altitude por conta da deficiência de oxigênio.

Causas da fadiga muscular
Triste notícia, mas a comunidade científica ainda não chegou a um consenso sobre isso. Algumas hipóteses são levantadas, mas a tendência é acreditar que a fadiga seja determinada por múltiplos fatores. Um modelo recente sugere que a fadiga é “consciente”, ou seja, uma decisão voluntária tomada em decorrência da exigência de esforço acima do normal.

Já em outro artigo, autores mostram que o excesso de cálcio na célula pode contribuir para a fadiga muscular e uma das explicações dada é que, em exercícios prolongados, a queda de PH diminui a sensibilidade das proteínas pelo cálcio, dificultando seu retorno para o retículo sarcoplasmático (reservatórios de cálcio). “E com isso, o aumento da concentração de cálcio diminui a força das pontes cruzadas, que fazem a contração muscular”, explica o fisiologista Lucas Samuel Tessutti.

Mecanismo cruelQuando são feitos tiros, por exemplo, a necessidade de produção de energia é muito alta. E, junto a isso, há liberação de hidrogênio. Quanto mais intenso o exercício, maior a produção de hidrogênio e maior a acidez muscular. O problema é que a acidez desfavorece a atividade de enzimas fundamentais para a produção de energia.

No entanto, o organismo reage e alguns agentes entram em ação para neutralizar (ou consumir) o hidrogênio liberado, que está “sobrando”. Caso esses agentes não trabalhem corretamente, ou se sua concentração não for suficiente, aí sim o organismo interrompe a atividade.

Mas, e por que após atividades intensas há altas concentrações de lactato? A resposta, como explica Tessutti, é que exercícios intensos requerem mais energia e, nessa intensidade, o metabolismo anaeróbico (ou seja, com maior produção de lactato que a capacidade de removê-lo) é a forma predominante.

E mais: o lactato, em vez de vilão, pode até dá uma ajudinha aos corredores. “Caso não fosse produzido durante a prática, a acidose e a fadiga muscular aconteceriam mais precocemente e o desempenho no exercício seria gravemente prejudicado”, complementa a doutora em atividade física Cristiane Matsuura.

Assim, trocando em miúdos, a acidez do músculo vem do excesso de hidrogênio gerado pela própria produção de energia, e não do aumento da concentração de lactato e ele até participa do processo de jogar o excesso de hidrogênio para fora da célula.

Como evitar a fadigaPorém, para se obter energia, as reservas iniciais de carboidratos são um fator-chave. Isso porque, durante a corrida, uma boa opção é a ingestão periódica de bebidas à base de carboidratos. Já para evitar a fadiga crônica, a dica é cuidar da periodização, por isso, os atletas devem incluir sessões de treinamento regenerativo com baixo volume e intensidade.

E para complementar, devem ser realizados treinamentos anaeróbicos, com alta produção de lactato, para melhorar o desempenho geral na corrida, com treinos intervalados e repetitivos: “Sessões de qualidade realizadas em intensidades mais elevadas melhoram a economia de movimento”, diz Cristiane.

A fadiga está na sua cabeçaPara o músculo contrair são necessários um estímulo do sistema nervoso e energia disponível no próprio músculo. Se algum desses fatores falharem, a contração não existirá, o que, tecnicamente, é chamado de fadiga.

Até 1987, acreditava-se que a fadiga tinha causas apenas musculares quando Newsholme, pesquisador de Oxford, na Inglaterra, propôs a hipótese da fadiga central, dizendo que o sistema nervoso também poderia falhar.
Porém, a teoria só foi provada quando voluntários em atividades de esforço máximo foram levados à fadiga e então se aplicou um estímulo elétrico no músculo, concluindo-se por fim, que quando um aparelho mandava o estímulo, no lugar do sistema nervoso, havia contração muscular.

Então, os pesquisadores imaginaram que se o exercício pode cansar também o sistema nervoso, o raciocínio de atletas em fadiga central poderia ser afetado. E com isso, testes mostraram que esportistas com essa característica têm o raciocínio piorado em comparação com o estado de descanso.

Atualmente, estudos sobre a fadiga central estão avançando e cientistas agora já pensam em nutrir não só o músculo, mas também o cérebro. Um exemplo de alguns dos nutrientes testados, até agora sem resultados conclusivos, são os BCAAs, ou aminoácidos de cadeia ramificada.

- Fontes: Adriano Silva, Mestre em Ciência do Movimento Humano pela UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina); Cristiane Matsuura, Doutora em Atividade Física e em Desempenho Humano pela UGF (Universidade Gama Filho); Lucas Tessutti, Doutorando em Biodinâmica do Movimento Humano pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) e Pablo Lollo, Bacharel em Treinamento Esportivo pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas.

(Matéria publicada na Revista O2 nº71, março de 2009)

Fonte: http://www.ativo.com/Esportes/Pages/conheca_os_viloes_causadores_da_fadiga_muscular.aspx

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

EcoRun Foz do Iguaçu tem percurso pela Usina Itaipu

Prova aconteceu na manhã de domingo, 28 de outubro, e contou com cerca de mil participantes
29/10/2012 11:07  | Por Pedro Nuin    
 
 
O domingo ainda estava amanhecendo quando os primeiros competidores chegaram às margens da Usina Hidrelétrica de Itaipu para retirar seus chips. Ao todo, foram cerca de mil corredores que enfrentaram os 5 km e os 10 km da etapa de Foz do Iguaçu (PR) da EcoRun.

Entre os participantes da distância mais curta estava o jornalista Thiago Gabardo Belo, de 24 anos, que começou a correr este ano. “Em janeiro entrei neste universo das corridas e fiz minha primeira prova. Eu precisava fazer atividades físicas e tracei a meta de 12 provas ao longo do ano. Essa foi a minha décima”, disse o atleta que terminou seu percurso em 30 minutos. “Tentei baixar meu tempo, mas nas útlimas 3 semanas não consegui treinar. Isso pesou bastante”, revelou.

O vencedor dos 5 km foi Willians Aveiro, que fechou o percurso em 16min36s. Entre as mulheres a vencedora da distância foi Edneia Aparecida Rodrigues, com 21min35s.

Já entre os 10 km, estava Adriano Aniceski, comerciante de 42 anos, que também começou a correr recentemente, há pouco mais de um ano. “Faz uns 3 meses que participei de minha primeira prova. Comecei para baixar meu peso e melhorar algumas taxas que meu exame médico apontava como preocupantes. Em pouco tempo já senti uma melhora significativa”, disse. O corredor, que mora em Curitiba, viajou até a cidade de Foz do Iguaçu apenas para participar da prova e disse que não se esquecerá tão cedo do cenário. “Foi um trajeto realmente muito bonito, passando bem próximo da Usina de Itaipu. Mesmo com a subida da reta final, o percurso foi excelente”, complementou.

Os vencedores dos 10 km foram Gerson Antonio Moreira Leite, com 33min41s, e Aparecida Gomes Silva, com 43min44s.
Confira os resultados e algumas imagens da prova:

5 km: 
Masculino
Willians Aveiro – 16min36s
Anésio de Oliveira – 17min51s
Tulio Malikoski – 18min00s


Feminino
Edneia Aparecida Rodrigues– 21mn35s
Edimara Alves Oliveira – 22min09s
Ana Catharina Sebastiany Kondo – 22min30s


10 km: 
Masculino
Gerson Antonio Moreira Leite – 33min41s
Adalberto Ferreira dos Santos – 34min45s
Ramao Benitez Arce – 36min21s


Feminino
Aparecida Gomes da Silva – 43min44s
Nilma Cristiane Andalicio de Resende – 44min56s
Elisandra Silva de Lima – 45min02s 


(Matéria publicada no site o2porminuto, outubro de 2012)

Fonte: http://www.ativo.com/Esportes/Pages/ecorunfozdoiguacutempercursopelausinaitaipu.aspx

terça-feira, 23 de outubro de 2012

5 Princípios do Treinamento

As diretrizes em que se baseiam todo o treinamento de corrida

 1. Sobrecarga
Deve-se aplicar aumento progressivo da carga de treinamento a partir do momento em que o corredor esteja adaptado à carga já praticada. Entende-se por carga de treinamento a combinação entre distância percorrida, intensidade da corrida e frequência (número de treinos na semana). É recomendado aumentar apenas uma dessas variáveis a cada semana. E atenção: você até pode dobrar ou triplicar o seu volume de treinamento em alguns anos. Mas elevar exageradamente a quilometragem de uma hora para outra é sacrificar o corpo.
2. Continuidade e reversibilidade
Seu organismo se adapta ao estresse do treinamento.E, igualmente, vai se adaptar à inatividade. Algumas adaptações podem demorar mais de ano, como o aumento da capilarização muscular (ganho de vasos sanguíneos que promovem a melhor oxigenação dos músculos). Quando se pretende completar uma maratona, por exemplo, é preciso pensar em longo prazo. Mas esteja atento, porque os ganhos tão sofridos podem ser jogados fora muito rapidamente. Quando a planilha pede treino, treine!
3. Especificidade
Em todos os esportes é necessário fazer um treinamento focado, voltado para a modalidade ou prova que você deseja dominar. Se quer ficar veloz, treine velocidade. Se quer ficar mais resistente, treine resistênca. Mas é preciso variar os estímulos para que seu corpo seja sempre desafiado. O problema é que se você faz sempre o mesmo treinamento para atingir essa meta, o corpo se adapta a ele. Com isso, não há mais evolução. A ordem, portanto, é variar o treino, também procurando melhorar o VO2 máximo, a velocidade e a técnica de corrida.
4. Manutenção
O volume de carga para determinado o nível de desempenho é menor do que o volume para chegar lá. É tentador querer treinar forte a cada dia. Mas fique sabendo que o seu rendimento só vai melhorar se você permitir que seu corpo descanse. Ao treinar forte, você oferece o estímulo para que seu condicionamento físico evolua. Ao descansar, na sequência, você estará dando tempo para que seu organismo se adapte ao estímulo.
5. Individualidade biológica
Cada corredor responde de forma única ao treinamento Entre os fatores que fazem de você um ser diferenciado na corrida estão a sua genética (predisposição para se adaptar ao exercício), histórico de treinamento e de lesões, saúde geral e estilo de vida (o que come, como dorme e lida com o estresse, por exemplo). Todos esses quesitos devem ser levados em consideração quando um treinamento é elaborado.

(Matéria publicada no Guia de Treinamento de Corrida 2012)

Fonte: http://o2porminuto.uol.com.br/

CORRIDADERUAFOZ.BLOGSPOT.COM

domingo, 21 de outubro de 2012

Faltou perna ou pulmão?

Edição 220 - JANEIRO 2012 - FERNANDO BELTRAMI - REVISTA CONTRA-RELÓGIO

Duas coisas são certas quando se termina uma prova: a sensação de que se poderia ter ido “um pouco mais forte” e a de que faltou alguma coisa, geralmente “perna” ou “pulmão”. Por isso, é bom conhecer o tema, para encarar melhor essas fraquezas.


Entender nossa performance quando ela realmente importa é parte fundamental de qualquer ciclo de treinamento. Saber onde estão os acertos e os erros nos permite repetir os primeiros e evitar os últimos. Alguns corredores insistem em começar um prova muito forte, ou muito devagar. Outros não abrem mão de determinado café da manhã, e sempre acham que a comida fez mal depois da prova.

Neste processo de aprendizado sobre as respostas do organismo frente às diferentes provas e treinos, quantas vezes você já disse que "as pernas estavam bem, o que faltou foi pulmão"? Metade das vezes, eu diria, porque na outra metade a frase é "o pulmão estava bem, o que faltou foi perna". Esta sensação de "falta" sempre irá pender para alguma parte do corpo.

Salvas as vezes em que um corredor for obrigado a diminuir de ritmo em função de uma dor inesperada ou algum motivo semelhante, em condições normais a fadiga sempre irá se manifestar de alguma forma antes que se manifeste de outra. Como diz o ditado, a corrente sempre quebra no elo mais fraco, e na corrida não é diferente.

Mas o que quer dizer, para nosso corpo e para o treinamento, aquela sensação de "faltou isso ou aquilo"? A nossa percepção muitas vezes nos prega peças; a dor e o desconforto são sensações, ou seja, são a manifestação consciente de como o sistema nervoso interpreta uma determinada situação. O que vamos tentar fazer agora é explicar um pouco melhor o que estas sensações podem representar, para que o corredor ganhe uma melhor compreensão de suas fraquezas ao montar sua nova planilha de treinos.


FALTOU PERNA. Vamos começar pelo mais difícil, pois esse súbito "desaparecimento" dos músculos durante uma prova ou treino pode ter várias causas. De imediato, é importante saber que esta não é a sensação que um corredor deseja relatar após uma prova, especialmente se as pernas tiverem lhe abandonado no meio do percurso, e não somente nos últimos metros.

Uma possibilidade para o que vamos chamar de "falta de pernas" é a depleção dos estoques de carboidrato do organismo. Durante a corrida, nossos músculos usam glicose (que é um açúcar ou carboidrato) de diversas fontes: dos estoques intra-musculares, onde a glicose estocada e "empacotada" é chamada de glicogênio; dos estoques de glicogênio do fígado e finalmente das fontes externas, dos alimentos e bebidas ricos em carboidratos que são ingeridos durante a atividade.

Se a alimentação do corredor estiver em dia, e se ele não tiver realizado uma série extremamente extenuante no dia anterior sem a devida reposição da energia perdida, uma baixa nos estoques de carboidratos não é uma ameaça em eventos que durem até cerca de uma hora e meia, pois este é período médio de duração de nossos estoques de glicogênio. Claro, é possível correr por muito mais de uma e meia sem parar e sem se alimentar; então do que é que estamos falando?

A resposta é que, se tentarmos gastar nossos estoques o mais rapidamente possível, isso irá levar cerca de uma hora e meia. É possível levar mais tempo do que isso, mas a atividade terá que ter sua intensidade reduzida a fim de que se utilizem mais gorduras e menos carboidratos no processo de produção de energia. Eventos mais longos, de meia-maratona para cima, podem sim ser completados sem nenhum tipo de reposição de glicose, porém o ritmo de prova será afetado, o que ninguém deseja. A maioria dos corredores tem muito a se beneficiar da ingestão de carboidratos, sejam eles em líquido, gel ou alimentos sólidos, na forma de diversos minutos menos em seu tempo final.

Como nosso cérebro utiliza exclusivamente carboidratos para funcionar, nosso organismo defende com força nossas reservas de açúcar. Quando começamos a correr, nosso cérebro calcula quanto açúcar temos disponível e quanto iremos gastar. Se a conta não fechar, se nosso cérebro achar que iremos gastar, no ritmo atual, mais açúcar do que temos disponível, nossa percepção de esforço se eleva ao ponto em que um ritmo de corrida que era considerado confortável se torna insustentável.

O que nosso corpo ganha com isso é que em uma velocidade mais baixa passamos a utilizar mais gorduras, preservando o estoque de carboidratos. Inúmeros trabalhos já demonstraram os drásticos efeitos que é oferecer uma fonte de carboidratos para atletas "exaustos" por depleção de carbo. É como se o "peso" das pernas fosse retirado com as mãos.


CALOR, SINAL DE ALERTA. Uma sensação semelhante pode ser causada por dias de temperatura muita elevada. Utilizando outros receptores e mecanismos, nosso sistema nervoso faz uso de uma tática semelhante à usada no controle da glicose quando precisa defender a temperatura. Durante o exercício, a temperatura corporal aumenta em proporção direta à taxa de trabalho, neste caso a velocidade de corrida.

Vamos supor que um corredor, correndo a 15 km/h, num dia de clima ameno de cerca de 20°C, aumente sua temperatura corporal a uma taxa de 0,5°C a cada 10 minutos. Se ele começar o exercício com 36°C de temperatura, normal para o corpo humano, ele atingirá 40°C em cerca de 1h20 de corrida, marca limite tolerável para muitos corredores. Se ele estiver participando de uma prova de uma hora de duração, ou mesmo uma de 1h20, isto não lhe trará problema algum.

Agora, se o corredor em questão tentar impor este ritmo numa prova de cerca de duas horas, seu corpo logo irá reconhecer que a temperatura limite será alcançada antes da linha de chegada, o que o colocaria em sério risco de falência múltipla. Por isso, assim que nosso corpo detecta que a taxa de ganho de calor está mais alta do que ele pretende tolerar ao final do exercício, temos a mesma situação do exemplo anterior: as pernas pesam, o exercício parece demasiado pesado e o corredor diminui o ritmo. Com a velocidade mais baixa, cai também a taxa de produção de calor e se atinge a linha de chegada em uma temperatura considerada "segura" pelo organismo.

Este exemplo possui diversos valores arbitrários, mas que não alteram sua validade. Quarenta graus não são, por exemplo, um número definitivo, nem a taxa proposta de 0,5°C a cada 10 minutos é um número real. Da mesma forma, o ganho de temperatura não é completamente linear ao longo do exercício. Nosso corpo irá ativar o mecanismo de suor, que dependendo de sua eficiência pode desacelerar mais ou menos o processo de aquecimento corporal.

ÁGUA NA CABEÇA. De todo o jeito, um ritmo muito forte, combinado com clima desfavorável, pode ser um dos fatores que limita a performance sem que o corredor sinta o peito arder. Medidas como gelar a nuca, onde se situa o centro de controle de temperatura do organismo, podem auxiliar a reverter parcialmente o processo, e até hoje não foram encontrados efeitos adversos de tal manobra. Já existem inclusive "coleiras" térmicas que podem ser utilizadas em volta do pescoço, para manter a região resfriada.

Finalmente, como se podia esperar, a falta de perna pode ocorrer, pura e simplesmente, pela falta de pernas. Quando realizamos uma atividade repetidamente, como as passadas em uma corrida, vamos aos poucos acabando com o estoque de uma série de compostos responsáveis pela contração muscular, desequilibrando as concentrações de eletrólitos que geram os estímulos nervosos e rompendo as estruturas cuja função é contrair as fibras musculares.

Ora, não é surpresa que uma estrutura exausta, machucada e esgotada funcione pior do que uma "fresca". Quando uma situação deste tipo ocorre, a causa é normalmente uma falha no treinamento. A carga, ou ritmo de corrida, é baixa o suficiente para que todos os sistemas funcionem corretamente: a temperatura não se eleva demais, os carboidratos estão bem, o sistema cardiovascular está trabalhando com facilidade.

Acontece, porém, que o tempo de esforço é muito longo, e os músculos não estão acostumados a se contrair por tanto tempo nessa intensidade. Parece óbvio, mas não é. O corredor pode focar todo o seu treino em séries longas e lentas, e de repente resolve que vai correr a cerca de 30 seg/km mais forte que seu ritmo de treinos. O contrário também se aplica, onde o treinamento envolve diversas séries curtas e rápidas, sem que haja preparação para o tempo prolongado da prova.

A verdade, como se acaba descobrindo, é que ninguém corre numa prova o que não consegue em treinos. Treinar para a velocidade é tão importante quanto treinar para toda a distância de uma competição, e não apenas para os primeiros quilômetros.


FALTOU PULMÃO. Faltar pulmão, na verdade, é onde o corredor deseja estar. Se todos os outros sistemas estiverem trabalhando corretamente, o corredor deve estar trabalhando no limite de seu sistema ventilatório durante toda uma prova. O que não pode acontecer, por motivos óbvios, é o corredor ultrapassar este limite antes da chegada.

Para cada distância, existe um ritmo em que o corredor sente que se ele for um pouco além, irá perder o controle de sua ventilação. Isso ocorre porque neste ponto é quando a pressão de oxigênio dentro dos músculos desce o bastante para que o metabolismo anaeróbico, que independe de oxigênio, aumente consideravelmente. Isto leva a maior produção de gás carbônico, que precisamos tirar do nosso organismo o mais rapidamente possível. A presença de gás carbônico no sangue estimula centros respiratórios, que por sua vez disparam nossa ventilação e nossa sensação de esforço - sempre ela. Quando a velocidade de corrida passa do ponto em que o metabolismo anaeróbico é utilizado em maior quantidade, teremos este "pico" de ventilação, que conseguimos superar apenas por um tempo limitado, por exemplo, no chamado "sprint final" de uma prova.

Empurrar o ponto onde esta "troca", por assim dizer, de metabolismo acontece é um dos objetivos principais do treinamento físico. Por isso se esta for a sensação de um corredor no pós-prova, é sinal que ele realmente correu o que podia ter corrido naquele dia, e que aquela performance pode ser utilizada para julgar o seu real estado de condicionamento. 

Fonte: http://revistacontrarelogio.com.br/materia/faltou-perna-ou-pulmao/

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